A História do Café

  • O cafeeiro é uma planta originária do continente Africano, das regiões altas da Etiópia (Cafa e Enária), onde é conhecido como planta de sub-bosque. A região de Cafa pode ser a responsável pelo nome “café”, dado à planta, ao fruto, à semente, à bebida e aos estabelecimentos que a comercializam.
  • Segundo uma das "lendas" da descoberta do cafeeiro, um pastor etíope foi quem percebeu que algumas de suas cabras mudaram seu comportamento após fazer uso de folhas da planta de café em sua alimentação, influenciando o comportamento de monges que o observaram.
  • Da Etiópia, o café foi levado para a Arábia, Egito, entre outros países da Europa, e depois para possessões ibéricas nas Américas, de onde foi para os Estados Unidos, hoje líder mundial em consumo e comércio de importação.
  • No Brasil, o desenvolvimento da cultura confunde-se com a própria história do País, que por adaptação e mesmo vocação, chegou a marcar época devido a sua grande importância econômica e social, o "Ciclo do Café". Coelho Neto, escritor brasileiro escreveu que "a história do Brasil foi escrita com tinta de café", tamanha a importância da cultura para o desenvolvimento do País, misturando-se inclusive com a sua própria história política e econômica.
  • Dispersão do café como cultura em países produtores e como bebida em países consumidores em todo o mundo.
  • Século XV. Da Etiópia o cafeeiro foi levado para a Arábia, sendo primeiramente cultivado pelo homem em infusões com o nome de "kahvah" ou "cahue". Ainda na Arábia, essa planta "milagrosa" assumiu grande importância social devido ao seu uso na medicina da época para a cura de diversos males. Desde então, despertara naquele povo um grande interesse econômico, pois vislumbraram a possibilidade de exportarem o produto para outros povos, gerando grande capacidade de troca de mercadorias.
  • Os árabes tentaram manter o privilégio, pois foram os primeiros a cultivar a planta. Entretanto, poderosos palacianos a descobriram e difundiram pelas nobrezas do ocidente. Foi levado primeiramente para o Egito no século XVI e logo depois para Constantinopla (hoje Istambul), importante centro comercial da época.
  • Na Europa, no século XVII, foi introduzido como bebida na Itália e na Inglaterra. O café era consumido por diversas classes sociais, inclusive por intelectuais, concorrendo pelo mercado com outras bebidas, como cervejas, bebidas alcoólicas em geral e com o chá tradicionalmente consumido pelos ingleses. Logo depois passou a ser consumido em vários outros países europeus, chegando à França, Alemanha, Suíça, Dinamarca e Holanda.
  • Na França, ficaram famosos os cafés parisienses que eram freqüentados por intelectuais da época. Voltaire, por exemplo, quando alguém lhe afirmava que café era veneno, dizia: "veneno lento, sem dúvida, pois há 50 anos que o bebo sem que ele tenha produzido efeito". Voltaire morreu com 84 anos de idade.
  • Aproveitando a frenética onda de crescimento do café, os holandeses o disseminaram pelo mundo. Inicialmente, transformaram suas colônias nas Índias Orientais em grandes plantações de café e junto com franceses e portugueses transportaram o café para a América, pelo Oceano Atlântico. Na Guiana Holandesa, hoje Suriname, foram introduzidas mudas de uma planta existente no Jardim Botânico de Amsterdã, na Holanda. Daí chegou à Guiana Francesa através do Governador de Caiena que conseguiu de um francês chamado Morgues, algumas sementes das plantas existentes no Suriname, semeando-as no pomar de sua residência. A partir desse pequeno plantio, em 1727 o Sargento Mor Francisco de Mello Palheta transportou para o Brasil, na cidade de Belém no Estado do Pará, algumas sementes e plantas ainda pequenas.
  • Em Belém do Pará a cultura não foi muito difundida, sendo levada nos anos seguintes para o Maranhão, chegando à Bahia em 1770. No ano de 1774, o desembargador João Alberto Castelo Branco trouxe do Maranhão para o Rio de Janeiro algumas sementes que foram semeadas na chácara do Convento dos Frades Barbadinos. Daí espalhou-se pela Serra do Mar, atingindo o Vale do Paraíba no ano de 1825. De São Paulo, foi para Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná e mais recentemente para o Mato Grosso e Rondônia.
  • Acreditam-se que as razões que levaram o café a se desenvolver como cultura econômica apenas no centro-sul do Brasil e não na região norte, onde foi introduzido, estejam ligadas às exigências em clima e solo, além da uniformidade genética no material original, cultivar 'Arábica' ou 'Típica', que certamente dificultou sua adaptação. Encontrando solos naturalmente férteis e temperaturas mais amenas, além de precipitações pluviométricas semelhantes às da Etiópia, o café teve franca expansão no centro-sul do País. A cultura teve grande expansão a partir de 1835 - 40, quando chegou ao Oeste Paulista. Nessa época, agricultores das cidades de Campinas e Ribeirão Preto plantaram seus primeiros cafezais.
  • O Noroeste Paulista iniciou sua atividade cafeeira somente em 1920 e a Alta Sorocabana, a Alta Paulista e o Estado do Paraná entre 1928 e 1930. O norte do Estado do Rio de Janeiro e o Espírito Santo já cultivavam grandes lavouras de café desde 1920.
  • (trecho do cd-rom ´Cafeicultura´, produzido pela UFLN – Universidade Federal de Lavras)
        
  • Alguns marcos na história do café:
  • 1820: Somente a partir desse ano o Brasil passou a ser considerado exportador de café, através de exportações contínuas do produto, vindo das regiões do Vale do Paraíba/ SP, de Araxá/ MG e de Goiás.
  • 1845: O Brasil produzia 45% do café do mundo.
  • 1857: Elevação dos preços internacionais devido à recuperação da economia européia e redução da oferta do café brasileiro, pois as lavouras sofriam grande ataque pelo inseto praga "bicho mineiro" e pela limitação da mão-de-obra escrava (lei Eusébio de Queiroz). Nessa época os preços tiveram uma elevação de 50%, o que causou grande expansão da produção nos anos seguintes.
  • 1865: Os preços caíram em função da diminuição das exportações para os Estados Unidos da América, que enfrentavam a Guerra de Secessão.
  • 1872: Safras menores no Brasil e América Central e o aumento da demanda mundial elevaram os preços do café.
  • 1875 a 1885: Nesses 10 anos o aumento dos volumes exportados compensou os baixos preços.
  • 1886: A ocorrência de geadas no Brasil elevaram os preços do café no mercado por dois anos.
  • 1906: O mercado sofre grande intervenção do governo. Essa foi a primeira grande intervenção, motivada pelos preços baixos do café que mal cobriam os custos da colheita. O estoque já era grande em 1902 e a expectativa de grande colheita para 1906, com cerca de 17 milhões de sacas, quando o consumo mundial era de apenas 20 milhões, provocaram baixa nos preços. Nessa época os cafeicultores já enfrentavam dificuldades financeiras e com a expectativa de preços baixos o governo interveio em socorro aos produtores. Essa intervenção ocorreu no dia 26 de fevereiro de 1906, quando reunidos em Taubaté/ SP, os governantes de São Paulo e Minas Gerais assinaram o "Convênio de Taubaté", para amparo à cafeicultura. Nesse acordo comprou-se grande parte da safra 1906/7, fixou-se a taxa de exportação em três francos e o preço mínimo do café tipo 7, para pagar os bancos estrangeiros que emprestaram dinheiro para a compra da safra. Também proibiram o plantio de novas lavouras de café para elevação do preço do produto.
  • 1918: Grande geada reduziu a produção brasileira causando elevação de preços.
  • 1932: Queima de estoques devido à superprodução. Os estoques chegaram a 33,5 milhões de sacas e até 1944 foram incinerados mais de 78 milhões de sacas. Houve ainda proibição de novos plantios de café.
  • 1939 a 1945: A segunda guerra mundial prejudicou o comércio de café, causando queda nos preços internacionais do produto.
  • 1945 a 1954: Melhoria dos preços após a segunda guerra, incentivando novos plantios.
  • 1955: Superprodução, de 22 milhões de sacas.
  • 1962 A 1967: Erradicação de 2 bilhões de covas. Em 1964, a retenção de estoques chegou a 48 milhões de sacas, como tentativa de elevação dos preços que estavam baixos.
  • 1969: Forte geada no Paraná destruiu cerca de 80% da safra seguinte, causando elevação dos preços.
  • 1970: Plano de renovação e revigoramento de cafezais lançado pelo Governo Federal, com grande financiamento, estimulando principalmente os Estados do centro-sul, particularmente Minas Gerais (regiões Sul de Minas e Triângulo e Alto Paranaíba), a aumentarem significativamente seu parque cafeeiro.
    O centro-sul do Brasil ainda é a principal região cafeeira do País. Os Estados de Minas Gerais, São Paulo, Paraná e Espírito Santo somam mais de 90% da produção nacional de café. Após o início da década de 1970 tem se observado uma tendência da cafeicultura rumar em direção à região mais central e mesmo do norte e nordeste. A principal causa é a geada, de ocorrência relativamente freqüente no sul do País, além da elevação dos custos com a mão-de-obra, que motivaram os cafeicultores situados mais ao sul a substituírem suas lavouras por outras opções agrícolas. Em São Paulo, por exemplo, o café cedeu espaço à cana-de-açúcar e à produção de citros.
    Regiões como o cerrado de Minas Gerais (Alto Paranaíba e Triângulo Mineiro), o sul da Bahia e até pequenas faixas dos Estados de Rondônia e do Acre tem hoje sua economia assentada na cafeicultura.
  • A seguir, serão feitas algumas considerações sobre as características da cafeicultura nos principais Estados produtores.

  • São Paulo
  • O Estado de São Paulo foi por muitos anos o maior produtor de café do Brasil. Atualmente, é o segundo juntamente com o Estado do Espírito Santo. Ambos revezam o segundo lugar nos últimos anos. A redução da área plantada, e conseqüentemente da produção de café em São Paulo, se deu em função da substituição do café por outras culturas, notadamente a da cana-de-açúcar, além dos citros. Hoje a cafeicultura paulista se concentra na região de Garça e na Mogiana Paulista (Franca), com uma produção anual correspondente a pouco mais de 15 % da produção total brasileira.

  • Minas Gerais
  • O Estado de Minas Gerais é hoje o maior produtor de café do Brasil. Cerca de 50% do café brasileiro é colhido nas regiões produtoras de Minas Gerais.
  • A principal e mais tradicional região cafeeira do Estado é o Sul de Minas, com aproximadamente 50% da produção do Estado. Caracteriza-se pela produção de cafés de excelente qualidade, devido suas condições de clima e solo favoráveis ao desenvolvimento da cultura. O café é produzido em solos sob vegetação de cerrado e em solos mais férteis, nas regiões montanhosas. São mais de 28 mil propriedades que cultivam cerca de 630 milhões de covas de café, numa área de aproximadamente 370 mil ha. Predominam as pequenas e médias propriedades cafeeiras, com poucas agroindústrias envolvidas na produção. Noventa e cinco por cento das propriedades cafeeiras do Sul de Minas possuem menos de 50 ha. O café responde por aproximadamente 71% da receita bruta e ocupa apenas 17,5% da área das propriedades cafeeiras do Sul de Minas. A região está estrategicamente localizada, equidistante de três grandes capitais: São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, além dos portos de Santos, em SP, e do Rio de Janeiro. Os cafeicultores são organizados em Cooperativas, distribuídas nas várias microrregiões produtoras. No Sul de Minas tem-se a maior concentração de Cooperativas de Cafeicultores do Brasil, que prestam serviço de assistência técnica, análises de solo e foliar, fomento, benefício e rebenefício, armazenamento e comercialização de café.
  • As regiões do Alto Paranaíba e do Triângulo Mineiro são do "café do cerrado" e ocupam hoje o segundo lugar em produção no Estado. Com uma cafeicultura altamente técnica, predominam as grandes propriedades e Agroindústrias. Em razão de suas características próprias de clima e solo, favoráveis ao desenvolvimento da cultura, em especial à realização da colheita em época coincidente com período de baixas precipitações pluviométricas e reduzida umidade relativa do ar, também produz cafés de excelente qualidade. A topografia é muito plana, favorecendo a realização de várias operações com máquinas, inclusive a colheita mecanizada, em expansão na região. A irrigação das lavouras tem sido uma prática comum em algumas microrregiões, cujo déficit hídrico chega a comprometer o desenvolvimento e a produção do cafeeiro. É uma das regiões do país que mais emprega a irrigação na cafeicultura. Os cafeicultores são organizados em Associações, por microrregião produtora, reunidas em torno do Conselho das Associações dos Cafeicultores do Cerrado (CACCER). Um agressivo e importante trabalho de marketing é realizado pelo CACCER, que criou a marca 'Café do Cerrado', hoje difundida e comercializada em todo o mundo.
  • Outra região cafeeira de Minas Gerais é a Zona da Mata, leste do Estado, divisa com Espírito Santo e Rio de Janeiro. É uma região montanhosa, caracterizada por uma cafeicultura de pequena e média produção, em lavouras com menor espaçamento, onde predominam os tratos manuais e a tração animal. Em razão da maturação final dos frutos e o período de colheita coincidir com período de elevada umidade relativa do ar, inclusive com freqüente ocorrência de chuvas, a qualidade da bebida do café é comprometida, predominando os tipos de bebida “rio” e “riada”. A qualidade física, relacionada aos defeitos dos grãos, não é alterada. A Zona da Mata procura hoje comercializar seu café no mercado interno e em países que prefiram a qualidade da bebida ali obtida, como alguns mercados da França e do Oriente. Além da Zona da Mata, outras regiões de Minas Gerais também produzem café, embora em menor quantidade. As regiões do Rio Doce e do Jequitinhonha, no nordeste de Minas e a região noroeste do Estado, são exemplos de áreas em que a cafeicultura se encontra em franca expansão.
  • Recentemente, através do decreto nº 38.559, de 17 de dezembro de 1996, o Governo do Estado de Minas Gerais instituiu o Programa Mineiro de Certificação de Origem do Café - CERTICAFÉ, como forma de padronizar os critérios de classificação qualitativa do produto e de valorizar a qualidade do café mineiro nos mercados consumidores. São consideradas as seguintes regiões produtoras pelo CERTICAFÉ: Sul de Minas, Cerrados Mineiros, Montanhas de Minas e Jequitinhonha de Minas.
  • (Fonte: CD ROM ´Cafeicultura´, produzido pela UFLN – Universidade Federal de Lavras)
  • Até 1820 o Brasil não era considerado exportador de café, embora em 1800 o café tenha sido exportado pela primeira vez, quando apenas 13 sacas foram embarcadas no porto do Rio de Janeiro. Antes da independência, consta que algumas outras partidas de café foram realizadas, tendo como destino Lisboa e sendo cafés principalmente dos Estados do Norte, mas em pequenas quantidades que nem sequer foram registradas.
  • O Brasil iniciou realmente sua projeção como grande produtor e exportador de café após sua independência, e já em 1845 colhia 45% da produção mundial, sendo a partir desta data considerado o maior produtor de café do mundo. A produção média anual de café no Brasil nos últimos 35 anos ficou na ordem de 23 milhões de sacas de 60 kg de café beneficiado, sendo que entre 1995 e 96 atingiu pouco mais de 16 milhões, em consequência das geadas ocorridas em 1994. Já entre 1998 e 99, previu-se uma recuperação do potencial de produção de café no Brasil, com estimativas superiores a 30 milhões de sacas.
  • Em 1992 o consumo mundial de café aumentou de 95,3 milhões de sacas, cerca de 1,1 kg 'per capita', para 98,1 milhões em 1994, com uma queda para 97,5 milhões em 1995. O consumo interno aumentado nos últimos anos, sendo que em 1996 já se aproximou de 11 milhões de sacas anuais.
  • De acordo com estatísticas, em 2006 o Brasil consolidou seu posto de maior produtor e exportador mundial de café, produto que mais uma vez contribuiu para o resultado do produto interno bruto (PIB) do agronegócio, que somou R$ 534,8 bilhões. Segundo dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o valor bruto da produção de café foi de R$ 10,4 bilhões no ano passado - 1,9% a mais que em 2005, ano que faturou R$ 10,2 bilhões.
  • De quebra, o café foi o quinto produto agrícola mais exportado no ano passado. Das 44 milhões de sacas de café produzidas, 27,2 milhões foram exportadas para um total de 73 países, gerando uma receita de US$ 3,3 bilhões. "Foi a maior receita cambial do setor dos últimos anos. O café representou 8% do resultado bruto das exportações do agronegócio", afirma Guilherme Braga Abreu Pires Filho, diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).
  • Hoje, o café responde por 2,5% do total da pauta de exportação brasileira. É interessante observar que países como a Finlândia, a Dinamarca, a Noruega e a Holanda consomem mais de 10 kg de café 'per capita' e mesmo o Japão, que não tem tradição no consumo de café, atinge 2,9 kg 'per capita'.
  • Fonte: Site Agência de Notícias Brasil/ Árabe